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09/03/2010 às 13:06h

Batalha do Jenipapo

Batalha do Jenipapo: personalidades recebem medalha

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A medalha da ordem estadual do Mérito do Renascença será entregue pelo Governo do Piauí, dia 13 de março, em Campo Maior, a diversas personalidades durante as comemorações ao 187º aniversário de adesão do Piauí à Independência do Brasil. Na programação do evento também consta missa e culto em ação de graças e solenidade cívico-militar , com a entrega da medalha Heróis do Jenipapo e apresentação da peça “Batalha do Jenipapo”.

Em Teresina, palestra Jenipapo - em busca de outros sentidos será realizada dia 12 deste mês de março, no auditório do Sebrae. Os palestrantes serão Fonseca Neto, Alex Mendes e Jesus Filho.

A Batalha

A Batalha do Jenipapo, realizada a 13 de Março de 1823, às margens do Riacho Jenipapo, em Campo Maior, 100 quilômetros ao Norte de Teresina, foi decisiva para formalizar a adesão do Piauí à independência nacional e consolidar a unidade territorial do Brasil.

O comandante das Armas da Província do Piauí, o oficial português João José da Cunha Fidié, que havia se destacado nas guerras contra Napoleão Bonaparte, foi enviado ao Piauí pelas Cortes de Lisboa, com o objetivo de manter a província ligada a Portugal e estabelecer com o Maranhão e Grão-Pará o Estado do Norte Brasil ligado a Lisboa, conforme o historiador Wilson de Andrade Brandão, em suas pesquisas.

Com declaração da Independência do Piauí feita a 19 de Outubro de 1822, em Parnaíba, em movimento liderado por João Cândido de Deus e Silva, coronel Simplício Dias da Silva, capitão Domingos Dias da Silva e outros patriotas, o comandante português reúne suas tropas e parte de Oeiras, a 13 de novembro, para combater os emancipacionistas parnaibanos.

Fidié entra em Parnaíba a 18 de dezembro de 1822, mas os patriotas piauienses já haviam se retirado para Granja, no Ceará. O comandante português é informado sobre os acontecimentos em Oeiras, a capital da Província, e do movimento liderado pelo brigadeiro Manoel de Sousa Martins, observa o historiador Odilon Nunes, em seu livro. Deixa Parnaíba e enfrenta escaramuças com patriotas piracuruquenses. Antes, o alferes Leonardo das Dores Castelo Branco proclama a adesão do Piauí à Independência Nacional, a 22 de janeiro de 1823.

No dia 24 de janeiro de 1823, em Oeiras, o brigadeiro Manoel de Sousa Martins e outros patriotas, com o apoio da população, destituem as autoridades portuguesas do governo da Província e declaram adesão ao Grito do Ipiranga, ressalta monsenhor Chaves em sua obra sobre a independência do Piauí.

Batalha do Jenipapo

Os historiadores são unânimes em afirmar que a Batalha do Jenipapo foi decisiva para afastar o major João José da Cunha Fidié do Piauí e consolidar a independência e a unidade territorial do Brasil. Fidié chega a Campo Maior e, no dia 13 de Março de 1823, pela manhã, tem início a batalha entre portugueses e piauienses, com reforços de patriotas vindos do Ceará, Parnaíba e Piracuruca.

O historiador Renato Castelo Branco, em sua obra, anota que as tropas piauienses eram comandadas por Francisco Inácio da Costa, José Francisco de Miranda Osório, José Marques Freire, Luís de Sousa Fortes Bustamante Sá e Menezes, Simplício José da Silva, Luís Rodrigues Chaves, João da Costa Alecrim, José Antônio da Costa Cardoso e Alexandre Nery Pereira Nereu.

O movimento reuniu toda a população da Vila de Campo Maior e arredores e todos pegaram em armas para combater as tropas fiéis a Portugal. Abdias Neves observa que “só a loucura patriótica explica a cegueira desses homens que iam partir ao encontro de Fidié quase desarmados”.

Do lado de Fidié, 1.700 homens bem armados e treinados, 11 peças de artilharia. Do lado piauiense, cerca de 3 mil combatentes, entre lideranças, militares, vaqueiros, juízes, roceiros, agregados, escravos, negros alforriados, índios, mestiços e peões. A maioria sem experiência militar e sem armas apropriadas, mas a vontade extrema de defender a liberdade e a adesão do Piauí à independência do Brasil.

O combate às margens do Jenipapo prolongou-se até às 14 horas. Fidié vence o confronto, mas perde a sua carga de guerra e se retira para a fazenda Tombador, a 1 quilômetro de Campo Maior, e depois parte para Estanhado, hoje, União, e lá atravessa o rio Parnaíba e deixa o Piauí, montando acampamento no Morro das Tabocas, hoje Morro do Alecrim.

Os patriotas piauienses, oriundos da Batalha do Jenipapo, montam cerca às tropas de Fidié, em Caxias. Sentindo-se derrotado, Fidié renuncia ao posto e o comando das tropas portuguesas passa para Luís Manoel de Mesquita, que assina o termo de rendição em 31 de julho de 1823. A 7 de agosto, Fidié é preso e enviado a Oeiras.

Historiadores admitem que na Batalha do Jenipapo morreram 300 piauienses. O comandante Fidié, em suas memórias, publicadas pelo piracuruquense Hermíno de Moraes Brito Conde, estima que o número chegou a 400 piauienses e cinco portugueses. A Batalha do Jenipapo foi o único movimento em que houve derramamento de sangue, além da Batalha de Pirajá, na Bahia, pela causa da Independência do Brasil.

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