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Apoio presidencial aos irmãos

Judocas que moram em escombros no Estácio recebem o Bolsa Atleta das mãos de Lula

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Os judocas campeões e filhos de sucateiros subiram ao pódio mais importante de suas vidas. Ontem, no palco de inauguração do Complexo Esportivo da Rocinha, os irmãos Taynara, Eduarda e Pablo de Oliveira Moura foram carinhosamente abraçados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Meu filho, dá um sorriso para essa gente”, disse Lula a Pablo, quando deu colo ao menino de 7 anos para simbolizar as centenas de talentos escondidos em escombros, palafitas e favelas do Brasil. Colecionadores de títulos e medalhas, as crianças de 12, 11 e 7 anos foram descobertas pelo ‘Ataque’ nas ruínas do prédio 220 da Avenida Paulo de Frontin, no Estácio.

Cerca de 400 pessoas aplaudiram o pequeno Pablo nos braços de Lula. “Estou feliz porque tinha um montão de gente olhando quando o Lula me pegou no colo”, disse o menino. Taynara, Eduarda e Pablo ainda tiveram a oportunidade de conhecer Zico, padrinho do futebol do Complexo da Rocinha, e Flávio Canto, judoca medalha de bronze na Olimpíada de Atenas, em 2004, e coordenador do Centro de Judô.

“Professor, parabéns pelo reconhecimento de um belo trabalho”, disse Canto ao mestre Orlando Araújo, que acompanhou os pequenos judocas na maior aventura de suas vidas. “Juro que não sinto medo de entrar no tatame, mas as minhas mãos suavam quando o Lula me abraçou como o meu pai faz”, confessou Eduarda.

Em seu discurso, Lula mostrou que conhece a história do sucateiro Eduardo Moura Nunes, pai dos judocas campeões. “Em todo o bairro que eu for, no Rio, vou desafiar a molecada: Você gosta de brigar? Você gosta de esmurrar o seu parceiro? Você é encrenqueiro? Então, seu filho da mãe saia da rua e entre aqui para treinar judô, boxe, qualquer coisa, para você aprender de forma sadia a competir e, quem sabe, em 2016, essa meninada toda vai estar disputando uma Olimpíada. Imagine que coisa extraordinária”, afirmou Lula.

AJUDA MENSAL

O pai dos judocas brigava na rua até aceitar a sugestão de Orlando Araújo, que o convidou a fazer judô e jiu jítsu. Ontem, os filhos do sucateiro dividiram o palco, no campo de grama sintética da Rocinha, com 35 autoridades e personalidades do mundo esportivo.

Taynara recebeu o certificado do Bolsa Atleta das mãos do ministro dos Esportes, Orlando Silva; Sérgio Cabral entregou o documento a Eduarda; e coube a Lula erguer o pequeno Pablo. Os maratonistas Juliete de Almeida de Souza, 17, e Wellington Rodrigues Taylor, 18, também receberam o certificado. O incentivo de R$ 250 será pago mensalmente.

TÉCNICO BEIJOU PRESIDENTE

Ansioso pelo encontro com Lula, o professor de judô e jiu jítsu Orlando Araújo, 63 anos, decorou milhares de frases para dizer ao presidente. “Mas só deu para falar que eu votaria um milhão de vezes nele, por isso tasquei um beijo naquela barba, mas foi com muito respeito”, revelou.

O ato de carinho aconteceu na sala vip, montada entre o palco e a piscina semiolímpica do Complexo Esportivo da Rocinha. Segundo o técnico dos irmãos judocas campeões, a consequência do beijo foi um sorriso do presidente. “Sou paraibano, ou melhor, nordestino como o presidente, mas esse negócio de inauguração é uma correria desatada, não deu nem para falar que tive uma infância sofrida, mas estou feliz de ter tirado uma foto com o Lula”, disse.

Quando receber a foto da assessoria do Planalto, a imagem já tem lugar reservado: ficará sobre os principais troféus da academia. “O pódio foi das crianças, mas também vou ganhar a minha medalha”, brincou.

CRIANÇAS VIVERAM HORAS DE MUITA EXPECTATIVA

As últimas 48 horas, antes do encontro de ontem com Lula, foram de muita expectativa nas ruínas do prédio 220 da Avenida Paulo de Frontin, no Estácio. Conhecer o presidente do Brasil provocou o imaginário das crianças e tirou o sono do pai dos atletas, Eduardo, que decidiu dormir abraçado aos filhos. “Harmonia, força positiva, para dar tudo certo no encontro mais importante da vida deles”.

A estratégia funcionou: os filhos se tornaram, por alguns minutos, as principais estrelas do palco armado na Rocinha. Eduardo não foi ao evento, embora tenha recebido uma camisa da professora Sandra Furlan. “A camisa é novinha, mas a minha única calça molhou e também os sapatos são horríveis”, confessou o sucateiro, de bermudas e chinelos de borracha. Os filhos trocaram de roupa na academia de Orlando Araújo, onde vestiram o uniforme doado pelo Projeto Suderj Em Forma.

Para desespero de Eduarda e Pablo, os uniformes eram bem maiores .

“Meu irmão parece um bonequinho do posto”, brincou Eduarda. Taynara foi a única que não precisou usar elásticos para segurar as dobras da calça. Pablo e Eduarda usaram sandálias no evento com Lula. “Quem é humilde é assim”, resumiu o pai sucateiro.

Os três irmãos campeões de judô, nas categorias infantil e infanto-juvenil, moram com os pais sucateiros nos escombros do prédio 220 da Avenida Paulo de Frontin, no Estácio. Há uma semana, o ‘Ataque’ revelou as dificuldades da família. Sensibilizado, o governo do estado incluiu as crianças no Bolsa Atleta. A Secretaria Municipal de Habitação inscreveu a família e os outros 18 sem-teto no programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, da Caixa. O Colégio Santa Mônica ofereceu bolsas de estudo às crianças três até o pré-vestibular.

O Dia Online

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